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Defs. Intelectuais
Ao chegar ao local onde estagio, preciso deixar muitas coisas para fora. Talvez, a primeira seja querer fazê-los como sou: meus valores, minha lógica, comportamento, memória, projetos... A segunda, talvez, seja o olhar. Tenho que parar de vê-los a partir do mundo lá fora, e vê-los a partir deles mesmos... O mundo deles é ímpar. Para estas pessoas, o bonito é o nosso feio; é o nosso feio é-lhes bonito. Nós somos horríveis, embora extremamente necessários. Somos horríveis por querê-los iguais a nós: produtivos, decididos, críticos, atuantes... Eles não conseguem ser assim. Engraçado que não vejo neles a tal pureza infantil, da qual tanto falam. Vejo, sim, uma felicidade inconsequente, momentânea, instável. Esta felicidade pode ser consequência de muitos processos químicos também instáveis, da ação de medicamentos, das próprias síndromes que eles têm. Mas ela é frequente. Os estudos mais profundos da mente humana não conseguem definir muitas destas pessoas. Não conseguem mapear suas mentes, nem dar uma direção para o trabalho. A dificuldade e a fascinação do trabalho com deficientes intelectuais está em descobrir o que está latente em suas mentes e, a partir dali, levá-los a desenvolverem-se o mais amplamente possível. Ás vezes, é tão pouquinho... Enquanto isso, eles estão ali, incognitos, distantes; mas, ao mesmo tempo, tão livres... A distância entre o mundo de um def. intelectual e de um não deficiente é muito grande. Os deficientes não sabem a dimensão nem as implicações do que são. Eles vivem os dias numa mistura de passado e presente, de sonho e realidade, de presença e alienação...Falam alto, riem, reclamam, surtam, cochicham, pedem atenção, envolvem-se. Mas como nos recebem bem... E se não gostam de alguém, logo manifestam! Nós os olhamos, tentando trazê-los para o nosso mundo, com nossas verdades que, às vezes, eles ignoram ou rejeitam. Às vezes, esta distância é fascinante, embora sempre comprometedora. É um processo muito doloroso para quem vê nascer em sua família alguém que nunca vai caminhar na mesma direção dos demais da casa... Disseram-me que, quando uma mãe descobre que seu filho é def. intelectual, ela tem que matar o filho "são" com o qual sonhou, em quem depositou suas expectativas e sonhos, e enterrá-lo, e deixar nascer o filho real. Se ela não fizer isso, todas as vezes que olhar o filho real irá rejeitá-lo, sua alma sentirá dor de novo, será tomada de frustração e desesperança. Viver assim é quase insuportável... Se ela matar o filho são, aprenderá a viver nas perspectivas reais do filho que existe, conseguirá ser feliz com as pequenas (grandes) vitórias que este filho conquistará. E estas vitórias serão como sonhos realizados. Deus as console. Deus as ajude. Deus as faça mães fortes e adequadas para estes filhos tão fascinantes.
Escrito por Chris às 09h19
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Pessoas?
Hoje tive uma aula... Não só de morfologia, mas de humanidade.
Fotos de pedaços, pedaços de pessoas, pessoas bem pequenininhas... Eram mãozinhas, bracinhos, perninhas, pezinhos, cabecinhas, torax... Todos dilacerados pela vontade humana: "Eu quero, eu faço, e desfaço, e me livro. O corpo é meu..." E do outro lado: "É só um trabalho como outros. Sou médico e exerço minha profissão."
Mãos... Estas mesmas instruídas para salvar. São ensinados a curar, e aprendem a matar. Não há nada de clínico, não há nada de nobre, não há nada de prático. Há o macabro, o horror, há morte exalando em centenas de salas sujas e esconsas.
Enquanto muitos, milhares lutam pela vida, outros praticam a morte, com decisões e com mãos. GazaX"clínicas".
Talvez, as mesmas pessoas que decidem e praticam este tipo de morte choquem-se com as cenas da guerra no Oriente Médio, sem se dar conta de que elas mesmas são os mísseis teleguiados, que matam tanto quanto as bombas que voam pelo céu da Faixa de Gaza; estas pessoas enchem cestos de lixo com futuros frustrados, sorrisos extintos e vozes caladas... Com pedidos de socorro não atendidos. Cestos de lixo cheios de pedaços de pessoas que não puderam se defender.
Independentemente da razão, da motivação, do surto, da doença, não consigo conceber que alguém pratique morte. Fomos feitos para propagar a vida, para crer nela.
A morte não pode ser um caminho para continuarmos vivendo, para realizarmos sonhos, para continuarmos a ser o que somos...
O que somos, se para manter-nos precisamos matar?
Escrito por Chris às 14h54
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Hoje vi um enterro. Um vizinho tinha um carro. Ele era um rapaz (quem é mais velho chama de rapaz pessoas com mais de 40, né!) aposentado pelo Estado por doença. Tinha problemas psicológicos e tomava uns remédios fortes. Como não tinha muito o que fazer, cuidava de um carro vermelho conversível antigo. Era rotina caminhar pela rua e cumprimentá-lo, distraindo-o do eterno cuidado com o tal carro vermelho. De tão cuidado, o carro deixava envergonhado muito carro novo! Vi este vizinho casado duas vezes, sempre sob o olhar atento da mãe. Mas o vizinho andava meio mau de saúde. Desmaiou algumas vezes. Num desses dias, o carro não lhe foi útil. Foi para o hospital de ambulância. De outros, não sei os detalhes. Um dia, o vizinho recebeu a notícia de que estava mesmo doente. Tinha um tumor na barriga e o caso era grave. Nada disse à mãe. Ele sabia que ela sofreria antes e depois do tempo. O tumor era dos "maus" e venceu aquele corpo franzino, controlado por muitos remédios. O vizinho morreu. Os vizinhos só souberam dias depois, pela mudança dos ares da rua e pelo carro parado na garagem, sem que ninguém dele cuidasse.A rua ficou mais silenciosa e mais "arrumada" sem o carro na calçada. Morbidamente arrumada. O carro, parado dentro da garagem. Ficou assim por meses. Hoje, o carro foi tirado da garagem como morto. Não funcionou quando o comprador tentou ligá-lo. Foi carregado pelo caminhão guincho, como se estivesse em um esquife. Coisa estranha. A irmã parada do vizinho no portão, segurava o pagamento pelo carro "morto". Ela, sim, orgulhosa da limpeza que fizera. Primeiro, as roupas do vizinho; depois outros pertences; agora, o carro. Pronto: nada "desnecessário" acumulado nos cômodos da casa onde vivera o irmão com a mãe, e as esposas. Tudo limpo. A mãe não veio ver o carro indo embora. Ia com ele a marca do vizinho. Ia com ele a última impressão de que, talvez, o vizinho tivesse perdido a hora, ou estivesse almoçando, ou ido pagar uma conta, por isso não estava cuidando do carro. Enterro sem choro, sem mulheres de luto, sem sobrinhos de olhares arregalados sobre o falecido. Enterro seco de um carro também morto.
Escrito por Chris às 19h10
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Seleção Brasileira. Hã! Brasileira...
Embora seja uma torcedora da Seleção Brasileira por, pelo menos em tese, ela representar meu país, ultimamente, sinto-me mal ao vê-la jogar. Primeiro, porque, na verdade, ela é a seleção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entidade particular que não se submete, não presta contas e não participa do progresso do próprio futebol brasileiro. Então, Seleção de quem?! Mas, vá¡ lá¡... O que realmente me enoja é a maneira como a Camisa é tratada pelos jogadores que atualmente a vestem. Em tempos áureos, a camisa da Seleção Brasileira foi vestida pela realeza do futebol. Eram verdadeiros reis da bola: Tostão, Garrincha, Pelé (é claro!), e muitos outros mais... Mais recentemente, Rivelino, Falcão, Raí... A lista de nomes que foram marcados por ela é grande! A camisa era vestida como um manto real. Estar sob ela era para poucos, e motivo de muito orgulho... Um sonho realizado. Mas estar sob este manto não bastava para ser considerado rei... Era preciso governar a bola, e bem! Quem o fazia, era considerado digno de vesti-la mais uma vez. Se governasse dignamente, aí sim, entrava para a história. Era preciso suá-la bastante, não desistir de nenhuma jogada, marcar, defender e atacar, se fosse preciso! Talvez, como a Seleção Argentina fez no jogo contra o México. (Aff,! Blasfêmia!) Hoje, parece que os jogadores sentem como se esta camisa não valesse nenhum esforço. Parece que, em suas mentes, mantos reais são suas peles que dignificarão a camisa quando eles a vestirem. Estes boleiros jogam como se fossem eles a emprestar sua realeza à camisa que representa a nação. É como se eu visitasse o palácio da rainha da Inglaterra, conseguisse vestir o manto real inglês, e passasse a achar que pudesse governar o país dela. O manto é real, mas não transforma plebeus em reis nem plebéias em rainhas. A camisa da Seleção não pode ser colocada à disposição de plebeus mancos que não se esforçam por ela, que não a querem... Ou só a querem quando lhes é interessante. Eles não são parte da realeza do futebol brasileiro. São usurpadores. Futebol, que já¡ foi tão importante para a vida do brasileiro, não nos serve mais para nada: não ganhamos nada quando a Seleção ganha; sofrer durante os jogos é inglório; os jogadores não correspondem a esse nosso sofrimento, não se interessam em aliviá-lo, não liberaram nenhuma gota de suor a mais para livrar-nos dele. A Seleção não é mais uma oportunidade de alegria coletiva deste nosso povo. Estes boleiros nunca serão reis. São tratados como se fossem: comem e dormem como se fossem; são procurados, perguntados, ouvidos como se tivessem alguma coisa boa para dizer... Mas não têm nada! Só o pensamento em seu conforto e suas próprias personalidades... Não passam de nomes a serem esquecidos... Chutam e correm por si mesmos... Pedalam para si mesmos. Feliz será o dia em que não precisarmos mais vê-los ignorando nosso hino, nossa bandeira, a história, a seleção.
Escrito por Chris às 11h06
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Mulheres, os espaços e o esquife
Mulheres ocupando espaços!
A frase parece coisa de feminista! Mas não é! Sábado fui a um enterro! Enterro de tia que já ia em idade e estava doentinha! Todos esperavam... Não importa! Velório, enterro, lágrimas, olhos vermelhos, cemitério... Ninguém gosta quando envolve alguém da família... Sempre tem uma carga de lembranças e saudades de quem se foi há tempos, mesmo que sejam tempos distantes! Aí, dói por quem ainda está lá em corpo, apesar de só estar mesmo o corpo, e por quem nem em corpo está mais... É muita tristeza.
Mas não é sobre isso que vim escrever. Tem a questão de se enterrar uma árvore junto a um corpo: caixão de madeira. Quando eu morrer, gostaria de ser enterrada numa caixa de papelão. Já pensou na economia de madeira que seria! Não sei se vão deixar, mas eu descansaria mais em paz!
Também não é sobre isso que vim escrever. Todo mundo sabe que o esquife é mais confortavelmente carregado por seis pessoas. No geral, seis homens se dispõem a levar o corpo em seu último passeio até a cova. É um momento estranho! Neste enterro, só 5 homens se apresentaram. Fiquei ali pensando: “Mas ela merece que 6 pessoas a carreguem, como deve ser, como o espaço induz.” Ninguém mais se apresentou. Eu fui! Eu: mulher baixinha, meio desajeitada, meio sem-graça. Nenhum homem quis. Uma mulher fez! Não sei porque nenhum homem quis! Só sei porque fui lá e carreguei! Não queria que o tio visse um espaço vazio. Queria que ele olhasse e visse que muitos queriam ajudá-lo naquele momento. Tio velhinho. Idéias firmes. Valores antigos. Costumes inalteráveis. Foi auxiliado por uma mulher a carregar o caixão. Mulheres ocupando espaços que homens se recusaram a desempenhar!
Escrito por Chris às 17h46
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Alguns Frutos da OAB. Alguns produtores de Arte!
Um pouco de história! Nos tempos de Brasil Colônia, não existiam cursos de direito aqui. Não que não houvesse interesse dos brasileiros pela justiça, mas a Coroa proibia. Depois da Independência, em 1822, já na primeira Constituição, dois cursos foram estabelecidos, um em SP e outro em Olinda. Como seriam formados advogados por aqui, precisaria que houvesse uma entidade de classe que os representasse. O objetivo era a moralização da advocacia brasileira. A partir dali, o número de advogados crescia como crias de coelhos, bem como a representatividade da classe nos meios políticos. O Império aprovou, em 1843, o Estatuto do Instituto dos Advogados Brasileiros, criando o que viria a ser a OAB. Os anos se passaram, e só em 1930, a entidade recebeu o nome de Ordem dos Advogados do Brasil. Em toda sua história, o objetivo da entidade foi o de “intermediar o cumprimento das leis entre os cidadãos, aqueles que as cumprem ou reivindicam seu cumprimento”.
A História ao vivo! Há bem pouco tempo, presenciei uma briga entre um advogado e um artista. O, segundo ele mesmo, proprietário de um escritório de advocacia chamava desembaraçadamente o artista de “pobre”, dizendo-lhe claramente que ele “não tinha (nem teria) nada na vida; que tudo o que ele fazia não era nada”, e para comprovar a diferença entre ambos, exibia sua lista sem fim de objetos de arte guardados nos imensos cômodos da casa, dizem as “línguas”, comprada pelo pai. Dizem também que tinha uns 30 e poucos anos o advogado.
Naquele ardiloso diálogo, o matreiro advogado dizia tudo sem, é claro, nunca identificar-se. Ele sabia, e todos que acompanharam a discussão também, que identificar-se poderia custar-lhe um processo judicial, além de uma pitomba do pai, se ainda estiver vivo! Escondido atrás de um pseudônimo e da uma carteirinha da Ordem dos Advogados, o “sabido” desafiava o artista a se defender... Na justiça!
A OAB e a história ao vivo!
Fiquei pensando na função da Ordem dos Advogados que, involuntariamente, cria alguns profissionais cujo caráter pode ser escondido atrás de 5x7 cm, tamanho aproximado da carteirinha que ela lhes confere. Eles conhecem a lei e a maneira como esquivar-se dela. Eles sabem como ferir sem correr o risco de serem cobrados pelos danos que causam.
Fachada
Que pena que a Ordem, que nasceu para aproximar cidadãos da Justiça, sirva também para esconder pequenos monstros mimados e descompromissados com a nossa Lei Maior, que abre suas palavras garantindo que nós brasileiros somos todos iguais, independentemente de raça, cor... E eu diria, profissão...
Mas tudo se rende à Arte
Penso que, talvez, o que mais doa no advogado em questão seja que uns nasceram mesmo para ter, mas outros... Ah, estes outros nasceram para ser, e brilham por isso, mesmo tendo pouco, ofuscando até os mais afortunados; tendo, muitas vezes, como a História registra, fortunas a seus pés só pelo prazer que as pessoas têm em ouvir, ou ver, ou ler as coisas que eles produzem sem esforço nem dificuldade.
Para tal frustração não existe remédio fácil, nem arrematando todo o Louvre em leilões épicos. A solução é voltar às origens da nossa Carta Magna e saber que somos, sim, todos iguais, e temos muito valor pelo que somos, não pelo que temos, nem pelo que herdamos, nem pelo que queiram pagar por nós.
Escrito por Chris às 15h39
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"A ciência foi construÃda, não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham. Todo conhecimento começa com um sonho." Rubem Alves
É...Quase tudo começa com um sonho!
Escrito por Chris às 15h53
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Isso não é justo
“Isso não é justo!” Esta frase me assustou! “Como assim ‘isso não é justo’. Eu estava olhando para ela, e escutando, e pensando em como ensinaria o que é justo! Aquele era um diálogo muito importante para minha pequena interlocutora. Eu, que tinha arrumado a casa, revisado um texto chatíssimo (é meu trabalho…), redigido uma matéria densa e longa, preparado isso, feito aquilo…Ufa … E ela vem me falar de justiça?… Como é fácil advogar em causa própria. Conhecemos e justificamos cada atitude nossa. Se precisar, invocamos a filosofia, a psicologia e as ciências exatas para provar que temos razão e que “precisamos” agir dessa ou daquela maneira. Para mim, eu estava certa! Pouca vivência, menos argumentos, mas muita razão! Aqueles olhos cheios de lágrimas me mostraram que alguma coisa estava muito errada na minha lógica. A verdade é que nem sempre muitas coisas dizem muito. Às vezes, o que fazemos, embora tenham sido milhões de coisas, não conseguem traduzir o pouco que precisa ser dito, que precisa ser sentido. As muitas coisas que eu havia feito não mostravam para minha pequena o que eu queria que ela visse: que ela é muito importante para mim, que a busca pelo seu conforto me faz trabalhar dobrado, triplicado! Só depois entendi… Bolinho de chuva numa tarde fria, ao redor de uma mesa, conversando sobre as coisas gostosas da vida é que não podem esperar, é que falam tudo o que queremos dizer, é que são realmente lógicas, porque duram pouco, porque passam logo, porque a vida não espera.
Escrito por Chris às 17h38
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Grades, a árvore e as pessoas
VIP: very important person! Domingo, chegamos ao parque e paramos na calçada para ver a árvore de natal que teria suas luzinhar acendidas. O céu estava limpo e a Lua maravilhosa, com sua estrela “de honra” ao lado! Logo, um segurança veio avisar que não poderíamos ficar ali porque não tínhamos convite para adentrar à área vip, e aquela era a passagem até a entrada. “Como assim, aquilo era um pedaço de calçada à beira do parque público. Está certo que uma parte dele estava cercado por uma grade, mas estávamos na calçada, e ninguém precisa de convite para parar num pedaço de calçada”. Mas, o homem estava mandando sair… Saímos. Resmunguei, mas saí! Um moça da organização do evento que promoveu o acender das luzes se aproximou e perguntou se tínhamos convite para a área vip, aquela parte cercada do parque. Não tínhamos, mas um amigo havia dito que poderíamos ficar por ali. “Ah, já sei do que você está falando”, ela respondeu. “Por favor, entrem.” Em minutos, de não poder ficar nem sequer ali na calçada, estávamos “adentrando a área vip”. Ah, agora podíamos entrar?! Quase mostrei a língua para o segurança… Criancice, eu sei! Por isso, não fiz! Entramos na área vip, um pedaço do parque pelo qual todos pagamos, onde havia sido montada uma arquibancada modulada, daquelas que vivem caíndo em shows no interior, onde eram distribuídos pirulitos, pipoca, refrigerante, de onde se tinha uma vista privilegiada da árvore e de um palco “lá longe”, além da Lua, é claro! As pessoas que ficavam de fora da área cercada lançavam olhares meio incomodados. Mais incomodada estava eu ali. Ser vip era estar no palco das diferenças sociais. Era estar do lado de dentro de uma desigualdade. E eu nem faço parte desta turma! Meu olhar é como o daquelas pessoas fora da área vip. Minhas roupas, meu cabelo, minha ingenuidade também. Very Important Person não tem nada a ver com privilégios, nem com pirulitos, nem com refrigerantes, nem com pipoca gratuitos (Que engraçado, gratuitos para quem, teoricamente, pode pagar!). Ser muito importante tem a ver com a capacidade de se alegrar com coisas simples como os fogos de artifício que explodiam no céu ao som da música que o Jorge Camargo fez: “A árvore do parque chama atenção de qualquer um que tenha amor no coração…” Very important person é a pessoa que consegue se divertir ouvindo a Orquestra Bacarat, e se emocionar ouvindo a Orquestra do CEU (aquele centro de educação da Prefeitura)! As duas tocaram no evento! Hoje, as very important persons e a arquibancada não estão mais ali. Aquele pedaço do parque voltou a ser de todos, como nunca deveria ter deixado de ser. A árvore do parque continuará ali para “qualquer um que tenha amor no coração” por si mesmo, por todas as pessoas, do lado de cá e do lado de lá da cerca besta que separa os “privilegiados” dos não privilegiados. Como eu queria que todos fôssemos tratados como somos: iguais.
Escrito por Chris às 07h25
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O que vale mais do que um vidro inteiro?
E de lá veio a pedra para quebrar minha janela! Já tinha voado bola, enfeites de natal, brinquedos, uma tesoura, e agora, a pedra que, certeira, despedaçou a vidraça. Fiquei indignada, catando os caquinhos… Colei o vidro com uma fita adesiva bem forte e segui o conselho de esperar até o dia seguinte, um domingo! Mas domingo é dia de descansar… Dia de conversa tranqüila com as vizinhas. Depois do "bom dia" dominical, o assunto surgiu… Menos brava, contei o que tinha acontecido. A vizinha não sabia! Quem jogara a pedra e os outros apetrechos fora um visitante indesejado. Ela não queria receber o menino, mas não conseguiu dizer ‘não’ aos pais que o deixaram lá! Constrangida. ela se prontificou a arcar com o prejuízo. Uma das janelas dela também está quebrada por causa do mesmo menino! Confesso que naquela hora, o que menos me importava era o valor do vidro, nem mesmo o vidro merecia tanta consideração. Mais importante era o valor da paz que existe entre nossas casas e nossas famílias. “Não tem problema. Depois a gente resolve. Não se preocupe”. É difícil avaliar quando nossas preocupações são maiores que as de outras pessoas. No mundo em que vivemos, o ‘eu’ é tão prioritário, que a convivência virou um problema não um prazer, até porque ela presume igualdade. A preocupação em não “ser passado para trás” é tão grande, que poucos percebem que a solidão que sentem criou raízes no seu próprio egoísmo: “eu em primeiro lugar, sempre.” E eu não sou pacifista, mas cheguei num momento em que tenho que escolher entre ter um vidro inteiro ou a solidariedade imperando na vizinhança. Se as duas coisas forem excludentes (talvez não sejam), acho que meu vidro vai continuar com a fita adesiva, e vou continuar a contar com o sorriso e a paz entre mim e minha vizinha. Outros dias já passaram, e ela voltou a perguntar do vidro. “Não se preocupe. Isso vai se resolver.” E vai mesmo.
E que Deus me ensine o equilíbrio!
Escrito por Chris às 20h44
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As mulheres vão me entender...
Mulheres costumam ter um problema em especial. Aliás, dois: ele e ela! O ele é o companheiro ou “candidato a”. Ela é a “ela” dele, principalmente, quando a “ela” dele não “é” “eu”. Quando não existe “ela”, isto é, quando “ela” sou “eu”, o problema se concentra só nele. Confortável, embora, às vezes, também problemático! Agora, quando a “ela” dele não “é” “eu”, o problema fica insuportável. A “ela” dele deve ser alguém lindíssima, perfeita mesmo. Diferente da “eu”, cheia de “defeitos”, celulites, unhas pequenas e redondinhas, cabelos que fica arrepiados só de ventar, pernar curtas…!!! Para ele ter se apaixonado por “ela”, e não por “eu”, é porque ela deve ser “a” mulher. Aí, quando se vê que a “ela” dele é normal, é só uma menina, ou uma mulher normal... A frustração é imensa: eu “perdi ‘ele’” para “isso”!!! Aí, a comida fica ruim; o sol fica meio escuro; o tempo, meio lento; aquela roupa que sempre caia bem, fica cheia de papos ou “fui eu que engordei?” ; o cabelo não acenta mesmo... A vida fica muito cansativa, dolorida, sem sentido... Quando a “ela” dele é outra, as mulheres não acham gosto no presente, nem o que fazer no futuro. Milhões de idéias de inadequabilidade passam pela cabeça, a auto-estima desaba; e haja força de vontade para querer levantá-la. Cara metade, alma gêmea... As pessoas falam dele como se sem ele não houvesse vida. Há vida quando se descobre que ele não é tudo, embora seja muito importante. Admiro as mulheres que se descobrem completas, sozinhas ou acompanhadas, para quem ele não é alguém que as complete, mas alguém para compartilhar, para dividir. O ele é de carne e osso. Importante, mas não detentor do dom da vida. Importante como eu; importante como eu devo ser para ele. Se “ele” for mais importante do que “eu”, a mulher estará destinada a ser coadijuvante e não “co-protagonista” da própria vida. Mas palavras não resolvem, mesmo que expliquem. São problemas das mulheres... De quase todas. Acho que de todas, dependendo da época da vida. Doença incurável, alimentada pelos radicais livres da carência e da busca pela felicidade que acostumamos a chamar de “completa”.
Escrito por Chris às 20h29
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Música sim...
Gosto de música. De música. Por isso tenho uma dificuldade enorme de ir a shows. Eu explico! Há alguns dias fui ver uma banda muito boa, cover do Deep Purple, a Fire Ball. Acompanhar as músicas, as brincadeiras entre os músicos, o clima da banda foi muito legal! Foi divertido. Mas… E se não tivesse um “mas” eu não precisaria escrever sobre o show mais do que “foi muito bom”… Gosto de curtir música. Quem a toca fará muito bem se não quiser chamar minha atenção sobre si mesmo mais do que sobre a música. Não gosto de shows nos quais mais se ouve solos do que melodias. Alguém aguenta ouvir um solo de baixo por 5 minutos seguidos por melhor que seja o baixista? E quando é solo de bateria? Aí, para mim, pega! Empapuça! Acho que gosto de música, mas não curto músicos “exibidos”! Não suporto jazz. As músicas são só um pretexto para os músicos exibirem seus exercícios de técnica de improviso. A platéia leiga fica ali olhando, sem entender o que está sendo tocado… Uma boa vontade que eu não tenho!!! Prefiro participar cantando lá do fundo da platéia, mas saber que para o músico, nós leigos, fazemos alguma diferença. O rock é bem mais democrático!! De qualquer maneira… Falei mal, mas tenho que dar a chance de quem quiser conferir. A banda é muito boa. O vocalista parece meio “homem das cavernas”, mas canta muito! O guitarrista é o máximo, e dá aulas de guitarra. O baixista é bom e um personagem interessante, quando se começa a reparar nas caretas que ele faz enquanto toca. Manda bem também! O tecladista faz chorar quando sola com aquele sonzinho de teclado “antigo”. E não é de emoção!!!! A banda tem um site: fireball.art.br Eles vão se apresentar em agosto, num bar de rock bem “sinistro”! Já fui lá e gostei! Para saber do endereço certinho, é só dar uma olhada no site da banda!
Escrito por Chris às 10h16
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Goiaba no meio da calçada
Rubem Alves diz que jabuticabeiras só existem para terem os frutos roubados pelos moleques. Na minha rua, existem 2 goiabeiras. Árvores pequenas e teimosas cravadas na calçada de cimento. O dono da calçada mandou podar as árvores até o talinho, para que meninos não pudessem subir nelas para pegar as frutas, incomodando a vizinhança. Para adultos, as coisas têm que estar em seus lugares, e a ordem não pode ser quebrada. Não se pode brincar com água porque vai ter que secar o quintal depois; não pode brincar de tinta no chão da cozinha porque vai fazer sujeira; criança não pode fazer bolo, porque deixa coisa cair no chão, até ovo; agora não pode tomar sorvete porque vai sujar a roupa... Criança subindo em árvore atrapalha o sossego da rua. Criança brincando faz bagunça, barulho e sujeira. Aí não tem árvore, nem goiaba, nem brincadeira. Não tem menino brincando como menino. Tem, sim, uma rua vazia de árvores e meninos... E muito silêncio. Mas natureza se une à diversão da infância, quando a diversão da infância faz a vida florescer. Achei divertido ver as goiabeiras e a fome de goiaba dos meninos se unirem contra o decreto emitido pelo dono da calçada: as árvores começaram a brotar novamente. Logo teremos goiabas verdes e meninos apressados povoando aquele canto da rua.
Escrito por Chris às 06h59
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Achei muito legal!!
" PERDOE SEUS INIMIGOS, MAS...ANOTE OS NOMES" INDIO VÉIO (um marombeiro dos bons, participante de uma lista de musculação que eu também assino)
Escrito por Chris às 16h30
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O dia em que apenas vivemos
Acho que, às vezes, damos importância demais a pequenos detalhes. Achamos que tudo é um sinal ou uma profecia. Achamos que em cada situação da vida existe um propósito que mudará o curso da humanidade. Aí, perder o ônibus ganha uma aura fatalista; chegar cedo e conversar com alguém com quem nunca tínhamos falado torna-se um acontecimento místico. .. E a vida ri , e diz que não é assim; que só demoramos mais no banho ...Ou foi o motorista que correu mais do que devia... Que ela é simples e mais bonita do que fantasiamos. Ficar tentando achar porquês para todos os fatos é cansativo e frustrante. Gera uma ansiedade desnecessária, que se soma às ansiedades “necessárias”. A mente fica sobrecarregada, e o corpo sofre com as dores da alma. Nem tudo é “um” sinal. E os dias correm, e nossa grande lição é aprender a viver cada dia da melhor maneira possível, fazendo a nossa parte, sem hedonismo, mas também, sem desespero. Se, por exemplo, perder o ônibus e conversar com alguém inesperado podem ser acontecimentos especiais é porque a vida toda deve ser especial. E ela é cheia de pequenas surpresas que, se não podem mudar o curso da humanidade, podem nos transformar em pessoas de verdade!
Escrito por Chris às 07h03
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