Gotas de limão


Vida e morte; o antes e o depois

Ainda bem que não escrevi ontem. Também fiquei impactada com a morte do Serginho em pleno estádio. Eu estava ouvindo o jogo. De cara, não entendi o que estava acontecendo. Aí começaram as descrições.
Vida e morte em questão de segundos...
Na transmissão pelo rádio, era impressionante ouvir as frases de surpresa e meio impensadas dos repórteres, até dos mais experientes. Um deles se assustou quando os médicos estavam transportando o jogador do estádio para o hospital e comentou: “Mas os pés dele estão cinzas.” E um médico respondeu: “Claro, é a cor normal de alguém nas condições dele.” ...
O Serginho já saiu de lá sem vida, mas para a medicina, morto mesmo só depois que todos os procedimentos são cumpridos. E foram. Não há o que discutir.
Acontece que, segundo algumas reportagens, o Serginho tinha uma cardiopatia grave. Então, não foi uma morte súbita. Talvez, um risco mal calculado. Saber isso me deu um certo alívio. Não gostei de ver alguém morrer sem lutar pela vida daquele jeito. Já ouvi que para se ver como realmente o corpo luta pela vida, é preciso visitar uma UTI. Gosto de saber que alguma coisa nos prende à vida; que alguma coisa insiste em manter o fio preso, inteiro.
Agora começa o lado feio deste jogo da vida e da morte. As famílias brigando pelo corpo e pelo dinheiro do jogador. Quem serão os donos de um dinheiro que quem ganhou não vai poder gastar. Quem receberá o que pelo investimento que fez no jogador?
Concluo que o pior do confronto entre a vida e a morte é produzido pelos que ficam, e não pela tranquilidade e o silêncio de quem partiu. A tristeza, o inconformismo, o jogo de interesses, o sentimento de posse, isso tudo é coisa de gente viva. E como são feias!
Mas a passagem do tempo melhora as coisas, e os sentimentos limpos e dignos permanecem: o amor sincero e a saudade calada. Vamos ver, daqui há algum tempo, quem vai estar prestando a mesma atenção no Serginho e honrando o esforço dele e o que dele ficou.

 Escrito por Chris às 11h08
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A vida, novamente!

São 8H45m! Tenho uns 15 minutinhos para começar meu expediente de trabalho. Só que trabalho em casa; sou free-lancer. Mesmo assim, estou sentada à minha mesa, pronta para começar a revisar e redigir. Hoje tenho que fazer os dois! Antes de sentar-me aqui, fiz uma das coisas que mais me dão prazer: cuidei das plantas daqui de casa.
Um delas está na garagem. É uma samambaia bem grande que há algum tempo secou. Eu não quis jogá-la fora; deixei-a lá. Algumas pessoas me disseram para tirar a plantinha de lá, porque, ao invés de enfeitar a garagem, ela a estava enfeiando, dando um ar descuidado. Teimosamente, decidi mantê-la ali. Que os outros pensassem o que quisessem!
Hoje fui "velar" a tal samambaia. Para minha alegria, ela está cheia de brotinhos! Aquela folhagem seca vai cair, e os novos ramos vamos aparecer.
Está vendo como nem tudo o que parece morto e sem valor está de fato condenado? Só se decidirmos condená-lo mesmo. É difícil acreditar quando as aparências mostram só secura, mas se dermos um pouquinho de tempo a mais, é possível que a recompensa seja ver a vida brotar novamente.

 Escrito por Chris às 08h01
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As lâmpadas e a neura!

Como todo mundo, tenho minhas neuras. A que mais me incomodava é que eu nunca queria errar o interruptor de luz para acender uma lâmpada. Eu explico. Em casa, temos alguns interruptores de luz duplos e triplos. Eu ficava insegura quanto tentava acender uma lâmpada cujo interruptor estivesse conjugado com o de outras, e acendia a lâmpada errada. Quando nos mudamos para cá, e, naturalmente, eu me enganava, ficava com a sensação de que a casa não era minha; e que “alguém” logo viria me tirar dela. Tem uma justificativa, mas não vale a pena pensar nisso.
Muita gente diria: “É espiritual!”. Eu digo: “É neura mesma”.
Na verdade, eu queria que pequenas coisas me provassem que eu estava no meu lugar; que aquela morada também era minha.
Se eu não tivesse a preocupação de domar minha neura, ela se transformaria em uma prisão.
Se eu não tivesse tomado a decisão de assumir o meu lugar, assumir o que Deus havia me dado, de assumir minha posição na minha casa e na minha vida, estaria aflita, esperando o dia em que “alguém” viria e tiraria de mim meu direito de estar onde estou, de ser quem sou.
Descobrir-se como pessoa e manter-se firme passa por pequenas lutas, até que nos sentimos capazes de analisá-las e vencê-las sem tanta dificuldade. Até lá, temos que aprender a reconhecer nossas neuras e a cuidar de nós mesmos.

 Escrito por Chris às 08h43
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