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A chuva, o sol e a esperança
Fiquei lendo enquanto ouvia a partida São PauloXSão Caetano, continuação do jogo interrompido na quarta passada por causa da morte do Serginho em campo. Nenhum canal de tv aberta mostrou o jogo. Talvez, não fosse dar uma audiência compensatória. Mas ficar mostrando a morte do jogador em vários ângulos, com som direto, com trilha sonora, em câmara lenta, de cima para baixo, de baixo para cima... Ah, isso compensou. É sangue, né? Os canais de tv adoram mostrar sangue. E o rapaz lá, exposto; e a família vendo tudo, indefesa. Mas é notícia! Bom, a homenagem que prestaram ao Serginho foi emocionante e o jogo foi muito bonito, muito arisco, muito nervoso. Olha eu me metendo a comentarista esportiva. Menos...Menos! Aí, a quinta-feira não quis amanhecer! Quando a noite já ia se despedindo, o dia resolver não clarear, e nós ficamos no escuro. Pouco antes das 6H, uma chuva desabou sobre São Paulo, e o vento conspirou contra a nossa vontade de sair de casa. E a hora passava, e o dia continuava fechado. Em resposta, as pessoas o chamaram de feio, cinzento. Mas as horas foram passando, e o dia finalmente clareou. Vimos até o sol. Eu vi. Foi uma surpresa para mim. Agradeci muito a Deus por tê-lo visto! Como é bom acreditar que alguma coisa boa vai acontecer. Isso se chama esperança. Esperança é aquela fé de que uma coisa boa ainda pode acontecer. Às vezes, nem sequer imaginamos o que pode ser, mas acreditamos que vá ser bom. Quando esta crença desaparece, diz-se que a esperança acabou, e é como se toda luz se apagasse. Sobra o escuro, a tristeza. Acho que é Deus quem mantém a nossa esperança. Existe esperança no mundo porque Deus ainda não desistiu de nos fazer o bem e isso nos sustenta, a nossa luz se mantém acesa, e assim a vida pode continuar
Escrito por Chris às 20h07
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A internet e o carteiro
A internet é uma estrada aberta. Por ela vêm notícias boas e ruins, pessoas queridas, novas em nossas vidas e aquelas não tão esperadas assim. Quanto às notícias, é como se a net se tranformasse naquele velho carteiro a quem as moças de antigamente esperavam, só que sem o romantismo. Às vezes, ela é uma rua erma, cheia de perigos escondidos e pessoas mal-intencionadas. Os chats não são como os antigos passeios na praça nas cidades pequenas. Naquela época, as moças esperavam as mesmas coisas que esperam as de hoje. Mas a internet não mostra o olhar nem nos deixa ler nos gestos as denúncias da vontade; as flores que vêm da internet não têm cheiro nem textura! Olhar a vida através da internet pode nos levar a lugares inusitados, mas, de verdade, nunca chegaremos lá. Pode nos mostrar todas as novidades, mas não chegaremos a tocá-las. Nada dispensa o que o tato, o olfato, a companhia pode captar. Nada consegue substituir o prazer e o aconchego de estar realmente pertinho de alguém.
Escrito por Chris às 15h54
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O que faço com amigos
Às vezes me pego tão intolerante com as pessoas... Se conheço alguém, luto comigo mesma para guardar a melhor impressão que ele tenha me causado. Se for pela minha tendência, já procuro captar o que de mais esquisito a pessoa manifestou. E como estou falando de gente, sempre tem alguma coisa esquisita para ser manifestada. Quanto mais conheço esta pessoa, mais luto para manter meu foco no que a pessoa me oferece de melhor. Hoje tive uma boa surpresa. Já tinha imaginado cobras e lagartos de alguém, que realmente dá indícios de que tantos as cobras como os lagartos realmente existem, mas ele me surpreendeu, prestando-me uma atenção que eu não esperava. Agora, imagine o que aconteceria se deixasse todo o meu senso crítico aflorar nas amizades que procuro cultivar. Teria muitos amigos, não é? Desconfiada que sou, sempre espero o pior das pessoas. “Auto-suficiente” como me imagino, acho que dificilmente elas me farão falta. Um problema é que fazem; e outro é que não sou auto-suficiente. Fico, então, entre a loucura de fugir do acho que existe, e a quase lucidez de não ter certeza de que o que imagino é realmente irreal, como diria Rubem Alves. Acho que esta é a loucura dos que não conseguem esquecer os detalhes de um relacionamento; daqueles que se fixam no que passou como se fossem marcos de uma terra; divisórias de uma relação que poderia ser cada vez melhor e mais livre. São frutos das experiências; frutos das marcas que a alma traz. Nem todos eles são bons; nem todos merecem ser cultivados. Alguns é melhor deixar secar.
Escrito por Chris às 20h22
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Andando sob estrelas
Final de semana. Passou o impacto da morte do Serginho e já teve até futebol. E no mesmo estádio em que tudo aconteceu. Lá mesmo, meu time perdeu. Ontem fizemos um bate-volta até Atibaia. A cidade não é me chama muito a atenção. Gosto de um lugar em especial. De lá, dizem, dá para ver a Via Láctea. Eu não vi. Mas vi muuuitas estrelas, andei sob elas conversando com alguém a quem amo muito. Conversamos sobre o que gostaríamos de ter, sobre os sons que estávamos ouvindo, sobre os bichos que os estavam gerando, sobre os pássaros (é isso mesmo, pássaros) que podíamos ouvir e ver. Fiquei olhando os detalhes daquele cenário e pensando que a natureza não é tão estética, nem tão limpinha, nem tão cálida como desenhamos. A vida na natureza é barulhenta, suja de terra, cheia de adubo natural, úmida e impresivível. É uma delícia! Penso em como podemos coexistir sem subjugar. Como é muito mais bonito ver uma mata virgem do que um grande, deserto e quase estéril gramado bem cortado. Penso em todas as coisas que podemos ter sem possuí-las, só aprendendo com elas.
Escrito por Chris às 17h33
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