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O sonho, a fé e os olhos de uma criança
Hoje eu fiquei ouvindo duas crianças conversando. Uma delas contou a história de um passarinho recém-nascido que ela encontrou numa rua próxima à sua casa. Ela dizia que apanhou o bichinho e levou-o para casa. Cuidou dele, dando comida e carinho. Mas chegou o dia de devolvê-lo à mãe. Ela caminhou até onde o tinha encontrado e o deixou. Um outro passarinho veio e carregou aquele de quem ela tinha cuidado para um ninho no alto de uma árvore. A criança acha que era a mãe dele. Na minha mente adulta e crítica acendeu uma velha luzinha vermelha. A primeira coisa em que pensei foi: “Impossível. História sem fundamento. É mentira.” Passado um pouco de tempo, desci do meu pedestal de juíza... Ainda bem... E comecei a pensar na história que ouvi. Não sei se de fato ela aconteceu... Mas aquela criança deu o final que queria que a história tivesse. Provavelmente, não teve. Mas a criança, criança ainda, imaginou um mundo melhor para seu paciente passarinho, sonhando vê-lo de novo nas asas de sua mãezinha, como, talvez, ela mesma costumasse ficar. Fiquei com vergonha de ser tão dura no julgamento daquela conversa. Fiquei decepcionada comigo mesma porque demorei para entender que aquela história era um expressão do desejo infantil de que tudo saísse bem para todos. Percebi que perdi uma boa oportunidade de brincar com a realidade e também sonhar com coisas quase impossíveis para meu mundo crescido, mas possíveis para quem ainda trás intacta sua fé de criança. Para ver este mundo melhorar é preciso olhar com os olhos de uma criança, que consegue acreditar que seu paciente passarinho possa mesmo ser levado de volta ao colo de sua mãe. Para ver este mundo salvo, talvez precisemos mesmo que um grande passarinho nos leve de volta às asas do Pai, e que Ele nos ensine a voar.
Escrito por Chris às 20h09
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Do que morrem os pais?
O pai da amiga de uma amiga minha morreu. Não sei quem ele era nem quem ela é. Só soube que minha amiga havia ido ao velório. Esta minha amiga devia estar muito triste porque uma ocasião como esta lembra que ela também não tem pai. Conversando sobre isso com mais 2 pessoas, as duas se queixavam que sentiam a mesma coisa. Bom, minha amiga, eu e mais duas... Naquela conversa, ninguém tinha pai. Por que estes pais morrem tão cedo? Pensando melhor, morrem menos pais por doença. Muitos pais morreram para a vida de seus filhos antes de estarem ‘no ponto’ de serem enterrados. Uns morrem de esquecimento. Eles se esquecem que são pais, e não encontram prazer na companhia do filho. Outros morrem de esquecimento também mas porque se esquecem de ver o filho como filho. Estes o vêem como estorvo, como um buraco por onde escoa seu salário, como aquele que sempre atrapalha seus planos de descanso, como aquele que, criança ainda, não pára de falar enquanto ele tenta ouvir ou ler alguma coisa. Alguns pais morrem de orgulho. Orgulho de serem quem são, imaginando que seus filhos nunca alcançarão tamanha perfeição. Pais também morrem por acomodação, e deixam que as mães resolvam a vida de seus filhos como qualquer outra coisa, mais uma sem importância... Outros morrem de indiferença. São indiferentes aos filhos... Até que os filhos crescem, e a indiferença os enterra. Outros ainda morrem de tão exigentes. Querem que os filhos sejam os melhores em tudo. Qualquer coisa que aconteça aquém de suas expectativas, seu desprezo é tão grande, que não há como ver neles um pai. Estes males são piores do que a tumba. Quando morre o corpo, mas fica a alma e a saudade de pai, tem-se um lugar para visitar, alguém de quem se lembrar. Quando os pais morrem porque não querem ser pais de verdade, fica o vazio e a sensação de se estar perdido, de não se ter para onde ir.
Escrito por Chris às 19h20
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A cura para o quase-medo do tempo
Tenho um quase-medo do tempo. Não daquele que me levará a ser velhinha, (se Deus me deixar). É o tempo que perdemos, tempo das oportunidades, das atitudes que devíamos ter tomar, mas que ficaram presas nos tempos para atrás. O quase-medo que tenho é de que não conseguir reaver algo que deveria ter tomado para mim, mas deixei de lado no tempo. Talvez, eu possa chamar de passado negligenciado. Os Titãs cantam uma música chamada Epitáfio. Breguinha, é verdade! Ela fala de alguém que perdeu este tempo. Alguém bem mais sábio, acho que foi o Rubem Alves, disse que olha para trás e não encontra muitas coisas que deveria ter feito e não fez, e que não tem do que reclamar. Perder este tempo e as oportunidades é uma doença sem cura. Não adianta, depois que ficar velho e não enxergar direito, reclamar que não viu um pôr do sol, nem reparou na beleza das flores, nem olhou nos olhos do filho, etc, etc. Para esta doença não há terapia, só profilaxia. É melhor saber o que realmente tem valor e ir atrás, antes que o que tem valor esteja fora do alcance das nossas atitudes. Mas, será que o que queremos é o correto? Será que queremos o que tem de melhor? Lembro-me de uma oração, um pedido que alguém fez a Deus: “Ensina-me a usar bem meus dias para que eu aprenda a viver.” Sl 90:12 - parafraseado. ... Fica para pensarmos!
Escrito por Chris às 20h13
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Terça-segunda-feira
Apesar de ser terça, hoje é quase uma segunda-feira. Fomos despejados no nosso ócio (!?) e lançados na rotina. Não reclamo dela. Se ela se repete todos os dias, significa que a rotina é minha vida. Reclamar da rotina seria reclamar da vida, e eu não acho isso bom. Mas voltando à terça-segunda-feira. Choveu forte a noite e ainda está garoando. Pelo jeito vai ficar assim o dia todo. A Erê, prima que fugiu de SP com a família, deve estar mais feliz do que todo mundo. Eu entendo. Deus está regando o jardim dela! Hoje ela não vai precisar molhar as plantas. Em contraste com a alegria da Erê, existem pessoas que estão tendo que secar os móveis e a casa por causa das goteiras ou da enchente. Para elas, o dia é de tristeza. Cada um com seus problemas, mas todos com algum motivo para levantar e enfrentar o que o dia nos oferece. Às vezes, é preciso mais coragem, outras vezes, menos. Este é o nosso tempo. Esta é a nossa vida. E, graças a Deus, só nos resta ir em frente.
Escrito por Chris às 08h01
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O preto e as jaboticabas amaldiçoadas
Meu mundo internético está cor-de-rosa. Não foi nada que eu tenha feito. O monitor do meu computador fica ligando e desligando alguma coisa, e de repente, a tela fica toda cor-de-rosa. É muito esquisito. Atrapalha a visão e ela fica muito feia, enjoativa. Não gosto muito de cor-de-rosa. Gosto de preto. Quando eu era adolê e comecei a usar preto, minha mãe não gostou! Ela achava que eu estava me desviando da Igreja, estas coisas. Já li que quem veste muito preto tem algo para esconder... (!) Já pensou o que pode estar escondido debaixo de um sobretudo preto. Eu tenho um! Não tem nada escondido nele! O que está escondido pode se vestir de amarelo, vermelho, branco... “O preto é sombrio”... Então, deve ser ali que o Mau se esconde! O preto é agressivo. Por isso os agressivos adoram usá-lo. Não sou agressiva nem sou sombria! Na física, o preto é ausência de luz. Que bonito! Ausência de luz, mas não de paz. Uma noite escura pode ser cheia de paz. O que a faz desconfortável é o medo. E o medo não é coisa da cor. É coisa da alma. O preto não é do diabo, como algumas pessoas pensam. Não é porque alguém se veste de preto que tem parte com o demo. Senão, panteras, golfinhos, abelhas, beagles e jabuticabas, todos criados por Deus, seriam criaturas amaldiçoadas. Tem gente que ama amaldiçoar! Liberdade para as cores; menos para este cor-de-rosa que não me deixa ver com clareza o que estou escrevendo. Liberdade também para aqueles que constroem suas próprias prisões julgando pessoas, bichos, comidas e cores com os critérios dos seus próprios medos e preconceitos.
Escrito por Chris às 10h08
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