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A rádio e as oportunidades!
Folheei uma revista Veja SP. Fui direto na página que dá dicas de programas de rádio. Não que eu siga as dicas, mas porque me lembra o tempo em que trabalhei numa rádio, e o pessoal da Vejinha ligava e perguntava se tínhamos algum especial programado. No começo, ingenuamente, eu dizia: “Não, para esta semana não temos nada.” Logo aprendi a dar a resposta certa: “No que você está pensando?” E a voz do outra lado respondia: “Eu preciso de um programa ‘assim’”. “Ok! Eu tenho exatamente o que você precisa.” E partia para produzir um programa com as características pedidas. Para nós de uma rádio pequena, aquilo era publicidade gratuita. Para quem redigia a coluna da revista, uma facilidade. Escrevi programas para namorados, dia da árvore, da bandeira e outros tantos regados por uma programação musical bem feitinha, pensada pelo Jorge Camargo, amigo até hoje. Nunca pudemos medir o resultado de audiência. Na verdade, naquela correria, nossa maior recompensa era ouvir o programa rolando como tínhamos imaginado. O desafio era muito legal. Nem sei se ainda existe espaço para o tipo de programa que fazíamos... Nem se há espaço para redatores deitarem e rolarem como eu podia fazer. A rádio era pequena e sem recursos, mas um grande laboratório. Todos que passaram por lá naquela época dizem que foi uma grande escola. Ainda bem que tínhamos humildade para sermos seus alunos.
Escrito por Chris às 10h06
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Mulher, dinheiro e vidas
Vi mulheres que não teriam motivo nenhum para querer viver e, no entanto, levantam cedo e saem para a vida com uma força tão grande que, acho, até Deus admira. Elas têm as mãos calejadas; o tanque e a vassoura como companheiros. São mulheres cuja grande alegria é estar com a casa cheia de gente e ter um “anguzinho” para servir. “É simples, mas feito de coração!” Talvez, estas mulheres, típicas brasileiras da classe pobre, nem saibam o quão valiosas são suas vidas, em contraste com a daquelas mulheres ‘ricas’, amargas e mesquinhas, que destroem com as mãos e com as bocas os poucos tesouros que têm... É, porque dinheiro não é tesouro, é rito de passagem. Se você sobreviver como gente ao fato de possuí-lo, terá sido aprovado; terá se tornado pessoa. Se não... Talvez, as mulheres pobres aprendam intuitivamente que é bom não nos afastamos muito do chão, da terra, para não nos esquecermos que somos pó. E por sermos todos pó, não temos muito do que nos gabar! Temos, sim, muito para agradecer a Deus que fez brotar de nós mais do que plantas. Fez brotar idéias, sentimentos, vontades. Isso é poder criativo: tirar do pó, da terra, canais de idéias, sentimentos, vontades! Também somos alvo do carinho de Deus. Ele nos imaginou e nos moldou. Não conheço outra razão para nos ‘acharmos’, qualquer que seja o tom da nossa pele, altura ou peso, cheiro ou aparência. Só temos o maravilhoso presente que são a vida e a força de viver!
Escrito por Chris às 08h16
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Falta mar. É Minas!
Há algo em Minas que eu invejo. Tudo o que ouço de Minas me faz bem. A comida, o sotaque (uai!), a música, os poetas, os filósofos. Rubem Alves nasceu em Minas. Tutu à mineira também. A cultura do tear manual. Toada de viola... Só não entendo como eles conseguem comer coelho! Uma vez. visitando uma família em Uberlândia, os donos da casa nos mostraram a criação de coelhos que tinham no quintal, ao lado da horta e do pomarzinho. Uma delícia de lugar! Na hora de almoçar, eles mostraram orgulhosos o prato de coelho servido à não-sei-o-quê sobre a mesa. Fiquei chocada. Comi verdura e arroz. Não tive coragem de provar a iguaria. Mas acho que o ar daquele estado inspira algo mais. Talvez seja a ausência do mar que, nos nossos dias, inspira sol torrando miolos e bundas de fora, estereótipo do vazio e da falta de reflexão. ...Tanta terra, nem tanto mar!
Escrito por Chris às 09h03
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O hino e as palmas
Hoje fui a uma cerimônia de entrega de faixas de judô. Se é que pode haver uma cerimônia esportiva, esta foi. Cerimônia não combina com esporte. Esporte não cabe em cerimônias. Bem no comecinho da ‘cerimônia’ foi tocado o hino nacional. Amo cantar o hino nacional, embora reconheça que ninguém gosta de estar ao meu lado enquanto canto qualquer coisa!!! Mas o hino nacional me emociona. O hino fala da pátria que Deus me deu. Não gosto muito daquela idéia que algumas pessoas fazem de que o céu é nossa pátria e aqui que “se dane”, ou “dane-se”, para o português ficar correto. Durante este tempo que ganhei para viver neste mundo, tenho que honrar meu país , e honrá-lo também é lutar para que meu povo viva melhor. O hino nacional me emociona porque fala de alguém disposto a lutar por este povo. Quando acabamos de cantar o hino, algumas pessoas bateram palmas, inclusive eu. Outras olharam feio: “Não se bate palma para o hino nacional.” Se aplaudo uma banda da qual gosto, se aplaudo alguém que diz algo que acho certo, se bato palmas para Deus, por que ‘raios’ não posso aplaudir a música através da qual declaro meu amor pelo meu país e pelo meu povo? “É falta de respeito”, respondem. Não, meu querido. Falta de respeito é a indiferença que vemos na sociedade em geral e, principalmente, nas atitudes da classe política. Deixem o povo aplaudir; deixem o povo saber que o Brasil é dele. Quem sabe assim, sabendo que o Brasil tem algo de cada um de nós, tenhamos mais garra para realmente fazer dele a nossa casa.
Escrito por Chris às 20h16
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