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Por trás de um sorriso...
Queria ter o poder de ler pensamentos! Não. Queria ter o poder de ler intenções. Queria poder ler olhares e expressões lá na fonte... Lá onde eles nascem. Queria saber o que vai na mente de quem me sorri. Talvez eu descobrisse quanto um sorriso pode ser traiçoeiro... Talvez eu nem mais quisesse sorrir. Talvez, até preferisse o choro ao riso, como diz o Pregador. Mas, se eu conseguisse saber o que há por trás de cada expressão, onde ficaria o segredo da vida? Onde eu acharia a magia do primeiro olhar? E o jogo de esconder e revelar tão bonito e fascinante? Se eu tivesse o poder de ler pensamentos e intenções, nada me estaria escondido, e os maus pensamentos e as más intenções desfilariam na minha frente como pessoas bem arrumadas! Se eu pudesse conhecer intenções, eu conheceria todas as pessoas. Talvez, as minhas intenções se tornassem más. Se eu pudesse ler pensamentos e intenções, acharia que poderia ser como Deus. Talvez até me sentisse Deus... Pensando melhor, agradeço a Deus só pela intuição, e pela incapacidade de enxergar além dos olhos de alguém. Agradeço a Deus porque existem segredos escondidos para mim e mistérios que não posso desvendar. Só peço a Ele que guarde os bons das intenções dos maus. Que me guarde do olhar que mata, da mente que pensa o mal, mas não deixa a língua dizer... Porque, se Deus que conhece todas as coisas me proteger, eu não preciso saber. Só preciso que Ele me esconda. Eu só preciso que Ele saiba por mim.
Escrito por Chris às 13h20
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A paisagem que faz falta
Para ir para a reunião do jornal para o qual escrevo faço um caminho bem enrolado, fugindo de grandes avenidas. Passo por um bairro de casas grandes, ruas arborizadas e muros altos, muito altos. Não sei como são as casas por dentro, mas nós que passamos pelas ruas vemos calçadas enfeitadas com plantas das mais bonitas e bem cuidadas. Acho que cada casa cuida da sua calçada, e o resultado é artístico. Engraçado é observar que, se fosse a Mata Atlântica, como antes da chegada de todos nós, ali haveria muito mais sujeira: restos de folhas no chão, adubo de primeira; folhas amareladas nos galhos; variedade de plantas, sem a precupação se uma combinaria exatamente com a outra; o que interessaria mais é que elas estivessem em equilíbrio. Se tivéssemos a Mata Atlântica, teríamos mais vida e menos estética. Teríamos bichos e os resultados da presença deles. Ouviríamos gritos e cantos que, talvez, não seriam tão harmônicos. Se houvesse um pouco de Mata Atlântica, as mulheres produzidas e seus cachorros perfumados não poderiam fazer suas caminhadas num terreno tão plano. O bairro é bonito. A paisagem, quase uma pintura. Mas ficaria mais bonita num quadro, e a Mata Atlântica agradeceria por poder continuar tornando a vida viável nesta nossa terra de escolhas equivocadas.
Escrito por Chris às 19h43
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