Um passeio à terra da madrasta da Cinderela!
Eu queria escrever sobre beleza. Esta é uma segunda-feira lindíssima de sol... Não consigo. Estou muito indignada. Ontem fui ao Shop Eldorado, lugar que não recomendo porque já vi de tudo acontecer ali. Lembra-se do dia em que caiu o pedaço de concreto na cabeça de um menino? Naquele dia, eu estava lá. Meses depois, voltei, e vi uma criança “sentar” a cabeça numa porta vidro de uma lojinha qualquer , porque faltava a sinalização exigida por lei há décadas: aquela faixinha vermelha baratinha. Pois ontem fui dar uma volta. Agora, temos que andar olhando para o chão porque o shopping está liberado para cães. É! Agora, os cachorrinhos podem levar suas donas para passear no Shop Eldorado. Uma gracinha! Eles fazem tudo o que fazem no Parque do Ibirapuera, e você que se cuide para não pisar antes que alguém limpe. Este alguém não será a dona do animalzinho, é claro. Fui conversar com um segurança: “Mas, pode? Assim mesmo, solto, andando ao lado das crianças pequenas?”. O segurança respondeu: “Pode. Se você vir algum excremento, chame algum segurança, e nós acionaremos o pessoal da limpeza. Já tivemos alguns problemas com algumas senhoras que trazem estes animais. Uma delas queria levar seu cachorrinho ao setor de alimentação, o que é proibido (AH, bom né? Já pensou você comendo um sanduíche numa mesa ao lado de um grupo de poodles!!). Mas a dona do cachorrinho insistia no acesso de seu parceirinho ao setor e argumentou (educadamente, é claro!) Meu cachorro é mais limpo do que você!” (Você pode imaginar alguém mentalmente são dizer isso a uma outra pessoa? Eu não). Então perguntei: - “E ninguém fez nada? Não defenderam o senhor?” - “Não. O cliente sempre tem razão. É assim mesmo. Você não sabe que andar com o filho vestido no uniforme de colégios como Dante Aleghieri, Rio Branco, Porto Seguro e trazer o cachorrinho ao shopping é símbolo de status? E o shopping precisa disso.” Saí de lá arrepiada de indignação, de raiva de ter que compartilhar o sagrado ar que respiro com gente que carece até da capacidade de diferenciar o valor e o espaço que se deve dedicar a pessoas e a animais. Respeito a natureza. Levo material reclicável lavadinho para o posto do Corpo de Bombeiros, não lavo o quintal com mangueira, cuido direitinho dos animais que tenho em casa... Mas não me conformo em saber que gente que se olha no espelho e não sabe dizer a diferença entre um ser humano e um animal, pode desrespeitar outro ser humano desta maneira. De novo, o Shop. Eldorado revela que não é um lugar para passeio: eles não fazem manutenção do lugar, senão não cairiam placas de concreto na cabeça de ninguém; não gastam dinheiro com o mínino de recursos de segurança, nem em durex vermelho; não cuidam da limpeza também. Quem for lá, pode dar uma olhadinha na cabeça do Cebolinha e da Mônica, pendurados há uns 12 anos na entrada do parque. Ouvi de uma menina: “Não sabia que eles tinham cabelos brancos.”, embora aquela poeira toda seja cinza mesmo; e privilegiam madames omacéfalas, em detrimento dos funcionários que impedem que aquilo seja pior do que já é.
Escrito por Chris às 08h57
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