As mulheres vão me entender...
Mulheres costumam ter um problema em especial. Aliás, dois: ele e ela! O ele é o companheiro ou “candidato a”. Ela é a “ela” dele, principalmente, quando a “ela” dele não “é” “eu”. Quando não existe “ela”, isto é, quando “ela” sou “eu”, o problema se concentra só nele. Confortável, embora, às vezes, também problemático! Agora, quando a “ela” dele não “é” “eu”, o problema fica insuportável. A “ela” dele deve ser alguém lindíssima, perfeita mesmo. Diferente da “eu”, cheia de “defeitos”, celulites, unhas pequenas e redondinhas, cabelos que fica arrepiados só de ventar, pernar curtas…!!! Para ele ter se apaixonado por “ela”, e não por “eu”, é porque ela deve ser “a” mulher. Aí, quando se vê que a “ela” dele é normal, é só uma menina, ou uma mulher normal... A frustração é imensa: eu “perdi ‘ele’” para “isso”!!! Aí, a comida fica ruim; o sol fica meio escuro; o tempo, meio lento; aquela roupa que sempre caia bem, fica cheia de papos ou “fui eu que engordei?” ; o cabelo não acenta mesmo... A vida fica muito cansativa, dolorida, sem sentido... Quando a “ela” dele é outra, as mulheres não acham gosto no presente, nem o que fazer no futuro. Milhões de idéias de inadequabilidade passam pela cabeça, a auto-estima desaba; e haja força de vontade para querer levantá-la. Cara metade, alma gêmea... As pessoas falam dele como se sem ele não houvesse vida. Há vida quando se descobre que ele não é tudo, embora seja muito importante. Admiro as mulheres que se descobrem completas, sozinhas ou acompanhadas, para quem ele não é alguém que as complete, mas alguém para compartilhar, para dividir. O ele é de carne e osso. Importante, mas não detentor do dom da vida. Importante como eu; importante como eu devo ser para ele. Se “ele” for mais importante do que “eu”, a mulher estará destinada a ser coadijuvante e não “co-protagonista” da própria vida. Mas palavras não resolvem, mesmo que expliquem. São problemas das mulheres... De quase todas. Acho que de todas, dependendo da época da vida. Doença incurável, alimentada pelos radicais livres da carência e da busca pela felicidade que acostumamos a chamar de “completa”.
Escrito por Chris às 20h29
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