O que vale mais do que um vidro inteiro?
E de lá veio a pedra para quebrar minha janela! Já tinha voado bola, enfeites de natal, brinquedos, uma tesoura, e agora, a pedra que, certeira, despedaçou a vidraça. Fiquei indignada, catando os caquinhos… Colei o vidro com uma fita adesiva bem forte e segui o conselho de esperar até o dia seguinte, um domingo! Mas domingo é dia de descansar… Dia de conversa tranqüila com as vizinhas. Depois do "bom dia" dominical, o assunto surgiu… Menos brava, contei o que tinha acontecido. A vizinha não sabia! Quem jogara a pedra e os outros apetrechos fora um visitante indesejado. Ela não queria receber o menino, mas não conseguiu dizer ‘não’ aos pais que o deixaram lá! Constrangida. ela se prontificou a arcar com o prejuízo. Uma das janelas dela também está quebrada por causa do mesmo menino! Confesso que naquela hora, o que menos me importava era o valor do vidro, nem mesmo o vidro merecia tanta consideração. Mais importante era o valor da paz que existe entre nossas casas e nossas famílias. “Não tem problema. Depois a gente resolve. Não se preocupe”. É difícil avaliar quando nossas preocupações são maiores que as de outras pessoas. No mundo em que vivemos, o ‘eu’ é tão prioritário, que a convivência virou um problema não um prazer, até porque ela presume igualdade. A preocupação em não “ser passado para trás” é tão grande, que poucos percebem que a solidão que sentem criou raízes no seu próprio egoísmo: “eu em primeiro lugar, sempre.” E eu não sou pacifista, mas cheguei num momento em que tenho que escolher entre ter um vidro inteiro ou a solidariedade imperando na vizinhança. Se as duas coisas forem excludentes (talvez não sejam), acho que meu vidro vai continuar com a fita adesiva, e vou continuar a contar com o sorriso e a paz entre mim e minha vizinha. Outros dias já passaram, e ela voltou a perguntar do vidro. “Não se preocupe. Isso vai se resolver.” E vai mesmo.
E que Deus me ensine o equilíbrio!
Escrito por Chris às 20h44
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