Grades, a árvore e as pessoas
VIP: very important person! Domingo, chegamos ao parque e paramos na calçada para ver a árvore de natal que teria suas luzinhar acendidas. O céu estava limpo e a Lua maravilhosa, com sua estrela “de honra” ao lado! Logo, um segurança veio avisar que não poderíamos ficar ali porque não tínhamos convite para adentrar à área vip, e aquela era a passagem até a entrada. “Como assim, aquilo era um pedaço de calçada à beira do parque público. Está certo que uma parte dele estava cercado por uma grade, mas estávamos na calçada, e ninguém precisa de convite para parar num pedaço de calçada”. Mas, o homem estava mandando sair… Saímos. Resmunguei, mas saí! Um moça da organização do evento que promoveu o acender das luzes se aproximou e perguntou se tínhamos convite para a área vip, aquela parte cercada do parque. Não tínhamos, mas um amigo havia dito que poderíamos ficar por ali. “Ah, já sei do que você está falando”, ela respondeu. “Por favor, entrem.” Em minutos, de não poder ficar nem sequer ali na calçada, estávamos “adentrando a área vip”. Ah, agora podíamos entrar?! Quase mostrei a língua para o segurança… Criancice, eu sei! Por isso, não fiz! Entramos na área vip, um pedaço do parque pelo qual todos pagamos, onde havia sido montada uma arquibancada modulada, daquelas que vivem caíndo em shows no interior, onde eram distribuídos pirulitos, pipoca, refrigerante, de onde se tinha uma vista privilegiada da árvore e de um palco “lá longe”, além da Lua, é claro! As pessoas que ficavam de fora da área cercada lançavam olhares meio incomodados. Mais incomodada estava eu ali. Ser vip era estar no palco das diferenças sociais. Era estar do lado de dentro de uma desigualdade. E eu nem faço parte desta turma! Meu olhar é como o daquelas pessoas fora da área vip. Minhas roupas, meu cabelo, minha ingenuidade também. Very Important Person não tem nada a ver com privilégios, nem com pirulitos, nem com refrigerantes, nem com pipoca gratuitos (Que engraçado, gratuitos para quem, teoricamente, pode pagar!). Ser muito importante tem a ver com a capacidade de se alegrar com coisas simples como os fogos de artifício que explodiam no céu ao som da música que o Jorge Camargo fez: “A árvore do parque chama atenção de qualquer um que tenha amor no coração…” Very important person é a pessoa que consegue se divertir ouvindo a Orquestra Bacarat, e se emocionar ouvindo a Orquestra do CEU (aquele centro de educação da Prefeitura)! As duas tocaram no evento! Hoje, as very important persons e a arquibancada não estão mais ali. Aquele pedaço do parque voltou a ser de todos, como nunca deveria ter deixado de ser. A árvore do parque continuará ali para “qualquer um que tenha amor no coração” por si mesmo, por todas as pessoas, do lado de cá e do lado de lá da cerca besta que separa os “privilegiados” dos não privilegiados. Como eu queria que todos fôssemos tratados como somos: iguais.
Escrito por Chris às 07h25
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