Isso não é justo
“Isso não é justo!” Esta frase me assustou! “Como assim ‘isso não é justo’. Eu estava olhando para ela, e escutando, e pensando em como ensinaria o que é justo! Aquele era um diálogo muito importante para minha pequena interlocutora. Eu, que tinha arrumado a casa, revisado um texto chatíssimo (é meu trabalho…), redigido uma matéria densa e longa, preparado isso, feito aquilo…Ufa … E ela vem me falar de justiça?… Como é fácil advogar em causa própria. Conhecemos e justificamos cada atitude nossa. Se precisar, invocamos a filosofia, a psicologia e as ciências exatas para provar que temos razão e que “precisamos” agir dessa ou daquela maneira. Para mim, eu estava certa! Pouca vivência, menos argumentos, mas muita razão! Aqueles olhos cheios de lágrimas me mostraram que alguma coisa estava muito errada na minha lógica. A verdade é que nem sempre muitas coisas dizem muito. Às vezes, o que fazemos, embora tenham sido milhões de coisas, não conseguem traduzir o pouco que precisa ser dito, que precisa ser sentido. As muitas coisas que eu havia feito não mostravam para minha pequena o que eu queria que ela visse: que ela é muito importante para mim, que a busca pelo seu conforto me faz trabalhar dobrado, triplicado! Só depois entendi… Bolinho de chuva numa tarde fria, ao redor de uma mesa, conversando sobre as coisas gostosas da vida é que não podem esperar, é que falam tudo o que queremos dizer, é que são realmente lógicas, porque duram pouco, porque passam logo, porque a vida não espera.
Escrito por Chris às 17h38
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