Alguns Frutos da OAB. Alguns produtores de Arte!
Um pouco de história! Nos tempos de Brasil Colônia, não existiam cursos de direito aqui. Não que não houvesse interesse dos brasileiros pela justiça, mas a Coroa proibia. Depois da Independência, em 1822, já na primeira Constituição, dois cursos foram estabelecidos, um em SP e outro em Olinda. Como seriam formados advogados por aqui, precisaria que houvesse uma entidade de classe que os representasse. O objetivo era a moralização da advocacia brasileira. A partir dali, o número de advogados crescia como crias de coelhos, bem como a representatividade da classe nos meios políticos. O Império aprovou, em 1843, o Estatuto do Instituto dos Advogados Brasileiros, criando o que viria a ser a OAB. Os anos se passaram, e só em 1930, a entidade recebeu o nome de Ordem dos Advogados do Brasil. Em toda sua história, o objetivo da entidade foi o de “intermediar o cumprimento das leis entre os cidadãos, aqueles que as cumprem ou reivindicam seu cumprimento”.
A História ao vivo! Há bem pouco tempo, presenciei uma briga entre um advogado e um artista. O, segundo ele mesmo, proprietário de um escritório de advocacia chamava desembaraçadamente o artista de “pobre”, dizendo-lhe claramente que ele “não tinha (nem teria) nada na vida; que tudo o que ele fazia não era nada”, e para comprovar a diferença entre ambos, exibia sua lista sem fim de objetos de arte guardados nos imensos cômodos da casa, dizem as “línguas”, comprada pelo pai. Dizem também que tinha uns 30 e poucos anos o advogado.
Naquele ardiloso diálogo, o matreiro advogado dizia tudo sem, é claro, nunca identificar-se. Ele sabia, e todos que acompanharam a discussão também, que identificar-se poderia custar-lhe um processo judicial, além de uma pitomba do pai, se ainda estiver vivo! Escondido atrás de um pseudônimo e da uma carteirinha da Ordem dos Advogados, o “sabido” desafiava o artista a se defender... Na justiça!
A OAB e a história ao vivo!
Fiquei pensando na função da Ordem dos Advogados que, involuntariamente, cria alguns profissionais cujo caráter pode ser escondido atrás de 5x7 cm, tamanho aproximado da carteirinha que ela lhes confere. Eles conhecem a lei e a maneira como esquivar-se dela. Eles sabem como ferir sem correr o risco de serem cobrados pelos danos que causam.
Fachada
Que pena que a Ordem, que nasceu para aproximar cidadãos da Justiça, sirva também para esconder pequenos monstros mimados e descompromissados com a nossa Lei Maior, que abre suas palavras garantindo que nós brasileiros somos todos iguais, independentemente de raça, cor... E eu diria, profissão...
Mas tudo se rende à Arte
Penso que, talvez, o que mais doa no advogado em questão seja que uns nasceram mesmo para ter, mas outros... Ah, estes outros nasceram para ser, e brilham por isso, mesmo tendo pouco, ofuscando até os mais afortunados; tendo, muitas vezes, como a História registra, fortunas a seus pés só pelo prazer que as pessoas têm em ouvir, ou ver, ou ler as coisas que eles produzem sem esforço nem dificuldade.
Para tal frustração não existe remédio fácil, nem arrematando todo o Louvre em leilões épicos. A solução é voltar às origens da nossa Carta Magna e saber que somos, sim, todos iguais, e temos muito valor pelo que somos, não pelo que temos, nem pelo que herdamos, nem pelo que queiram pagar por nós.
Escrito por Chris às 15h39
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