Pessoas?
Hoje tive uma aula... Não só de morfologia, mas de humanidade.
Fotos de pedaços, pedaços de pessoas, pessoas bem pequenininhas... Eram mãozinhas, bracinhos, perninhas, pezinhos, cabecinhas, torax... Todos dilacerados pela vontade humana: "Eu quero, eu faço, e desfaço, e me livro. O corpo é meu..." E do outro lado: "É só um trabalho como outros. Sou médico e exerço minha profissão."
Mãos... Estas mesmas instruídas para salvar. São ensinados a curar, e aprendem a matar. Não há nada de clínico, não há nada de nobre, não há nada de prático. Há o macabro, o horror, há morte exalando em centenas de salas sujas e esconsas.
Enquanto muitos, milhares lutam pela vida, outros praticam a morte, com decisões e com mãos. GazaX"clínicas".
Talvez, as mesmas pessoas que decidem e praticam este tipo de morte choquem-se com as cenas da guerra no Oriente Médio, sem se dar conta de que elas mesmas são os mísseis teleguiados, que matam tanto quanto as bombas que voam pelo céu da Faixa de Gaza; estas pessoas enchem cestos de lixo com futuros frustrados, sorrisos extintos e vozes caladas... Com pedidos de socorro não atendidos. Cestos de lixo cheios de pedaços de pessoas que não puderam se defender.
Independentemente da razão, da motivação, do surto, da doença, não consigo conceber que alguém pratique morte. Fomos feitos para propagar a vida, para crer nela.
A morte não pode ser um caminho para continuarmos vivendo, para realizarmos sonhos, para continuarmos a ser o que somos...
O que somos, se para manter-nos precisamos matar?
Escrito por Chris às 14h54
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